Linhas alheias sobre a censura e o censurável...
Jorge Edwards: El mejor argumento que podemos regalar a nuestros adversarios es, precisamente, el de recurrir a la censura. Si censuramos es porque admitimos una debilidad nuestra muy grave. Es porque no tenemos razones verdaderamente sólidas de nuestro lado y preferimos cortar el debate de raíz. Claro está, el señor Chávez nos acusará de liberales y hasta de socialdemócratas, mientras él propone su socialismo bolivariano. ¿En qué consistirá esta nueva clase de socialismo? ¿O será una palabra nueva para designar el antiguo socialismo real, el que se desmoronó en todas partes, salvo en una pequeña isla tiranizada? (Censuras, El País).
Eduardo Lourenço: É inútil imaginar que esta peripécia «mediática», num contexto como o nosso, seja um fait-divers tão frívolo ou insignificante como todos os outros. Nós estamos na ordem do simbólico. Trinta e dois anos depois do 25 de Abril - fim histórico do antigo regime -, e 17 depois da queda do Muro de Berlim - anúncio da falência da União Soviética -, o mais original país da Europa (junto com a Polónia...) consagra como seus dois «grandes homens» dois heróis da anti-Democracia (O triunfo póstumo dos vencidos, Visão).
Contra o dia burocrático e o modo funcionário de viver
29.3.07
26.3.07
Início de semana
...
Tu verras l'horizon s'entrouvrir et c'en sera fini tout à coup du baiser l'espace
Mais la peur n'existera déjà plus et les carreaux du ciel et de la mer
Voleront au vent plus fort que nous
Que ferai-je du treblement de ta voix
Souris valseuse autour du seul lustre qui ne tombera pas
Treuil du temps
Je monterai les couers des hommes
Pour une suprême lapidation
Ma faim tournoiera comme un diamant trop taillé
Elle nattera les cheveux de son enfant le feu...
La Mort Rose
André Breton
Tu verras l'horizon s'entrouvrir et c'en sera fini tout à coup du baiser l'espace
Mais la peur n'existera déjà plus et les carreaux du ciel et de la mer
Voleront au vent plus fort que nous
Que ferai-je du treblement de ta voix
Souris valseuse autour du seul lustre qui ne tombera pas
Treuil du temps
Je monterai les couers des hommes
Pour une suprême lapidation
Ma faim tournoiera comme un diamant trop taillé
Elle nattera les cheveux de son enfant le feu...
La Mort Rose
André Breton
24.3.07
«Nós, cidadãs e cidadãos da União Europeia, estamos unidos para o nosso bem» (Declaração de Berlim)


Amadeo de Souza-Cardoso
Sem título - Caixa Registadora
Sem título - Brut 300 TSF
Representação da visão portuguesa da nossa história e da Europa, Capolavori dell'arte europea, Palácio do Quirinal, Roma.
O casamento europeu
A imprensa antecipa hoje os cinquenta anos da CEE-CE-UE. Apesar da crise relembrada e comentada, o dia é de festa. No âmbito dos festejos, escreve Pedro Lomba, na Geração de 70: «a relação entre os europeus e a Europa está a transformar-se num casamento na meia-idade. Frustrados com a rotina, os cônjuges aspiram a mais, sem perceberem que a rotina é o melhor que o casamento pode dar».
Arriscaria ironizar que só um jovem solteiro da Geração de 70 poderia atribuir ao casamento o mérito da rotina, e afirmá-la como a melhor característica matrimonial. E no casamento europeu a rotina não vem motivando qualquer um dos cônjuges.
Que dizer da Declaração de Berlim, a assinar amanhã? A refundação de um casamento que vive em harmoniosa rotina? Ou o reflexo de uma multidão num casamento que, de acordo com a tradição vigente, seria entre dois e é entre 27, que podem ser de mais (Jacques Delors, na Única)? Estes 27 que não acordaram nos termos a declarar, cabendo a Angela Merkel, José Manuel Barroso e Hans-Gert Poettering - Presidentes do Conselho, Comisão e Parlamento Europeu, respectivamente - a assinatura da Declaração de Berlim?
Este não é um casamento de rotinas, mas é um casamento rotinado. Chegado aos cinquenta anos, o mercado tem sido garante da longevidade (uma rotina de pouca glória, «na negociação das quotas de tomate ou sobre o que é uma cerveja, mas muito deste mercado único incompleto passou por aí, antes de termos um Parlamento Europeu, umas fronteiras mais abertas ou um sr. Javier Solana a visitar o mundo»), mas nas mais ferozes discussões conjugais tem falhado o consenso (a Constituição...). E os europeus não me parecem felizes numa aparente calmaria rotineira, agastados pelas falhas sociais deste contrato de casamento.
Uma semelhança com a instituição matrimonial: «a Europa é o nosso futuro comum» (Declaração de Berlim).
Arriscaria ironizar que só um jovem solteiro da Geração de 70 poderia atribuir ao casamento o mérito da rotina, e afirmá-la como a melhor característica matrimonial. E no casamento europeu a rotina não vem motivando qualquer um dos cônjuges.
Que dizer da Declaração de Berlim, a assinar amanhã? A refundação de um casamento que vive em harmoniosa rotina? Ou o reflexo de uma multidão num casamento que, de acordo com a tradição vigente, seria entre dois e é entre 27, que podem ser de mais (Jacques Delors, na Única)? Estes 27 que não acordaram nos termos a declarar, cabendo a Angela Merkel, José Manuel Barroso e Hans-Gert Poettering - Presidentes do Conselho, Comisão e Parlamento Europeu, respectivamente - a assinatura da Declaração de Berlim?
Este não é um casamento de rotinas, mas é um casamento rotinado. Chegado aos cinquenta anos, o mercado tem sido garante da longevidade (uma rotina de pouca glória, «na negociação das quotas de tomate ou sobre o que é uma cerveja, mas muito deste mercado único incompleto passou por aí, antes de termos um Parlamento Europeu, umas fronteiras mais abertas ou um sr. Javier Solana a visitar o mundo»), mas nas mais ferozes discussões conjugais tem falhado o consenso (a Constituição...). E os europeus não me parecem felizes numa aparente calmaria rotineira, agastados pelas falhas sociais deste contrato de casamento.
Uma semelhança com a instituição matrimonial: «a Europa é o nosso futuro comum» (Declaração de Berlim).
Uma História pop?

No dia de aniversário da Europa unida, a RTP transmite em directo a final do concurso «Os Grandes Portugueses». António de Oliveira Salazar, o senhor da cadeira, dos quarenta anos de ditadura e ultramar, do retrocesso económico e recesso social, corre riscos sérios de vencer. E parece ter sofrido uma reciclagem histórica, transformado agora num icon pop.
É inacreditável. A história não se apaga, de facto. Mas não se reescreve. A história contemporânea portuguesa tem aparecido diariamente revista por historiadores de ocasião, como se a corrente da «história de consenso» nos tivesse investido a todos nessa tarefa de revisão.
Detenho-me nas frases lúcidas de Julián Casanova, catedrático de História Comtemporânea na Universidade de Zaragosa, há uma semana, no El País: «não podemos prestar-nos a construir visões do passado por encargo, renunciar à análise rigorosa do que outros querem ocultar ou esquecer. O passado persiste, como persistem as suas principais tradições políticas que orientam de muitas formas as nossas actuações (...) Para que serve a história? Que ensinamentos estamos a dar aos jovens estudantes? Será suficiente que não nos arruinem esta democracia pela qual tanta gente lutou».
A tradução é minha. A indignação estupefacta também. Na data em que se comemora o Dia do Estudante, ainda não aprendemos a honrar a memória dos melhores de todos nós.
Um comentário pouco europeu...
... mas logo à noite, espero que Cristiano Ronaldo mostre as suas 27 estrelas à mal-amada selecção belga.
23.3.07
Na fila...
O Poder do Cidadão
Depois do Grameen Bank, especializado no Microcrédito, e do Prémio Nobel da Paz, recompensa da luta pelo direito ao crédito, Muhammad Yunus criou um partido político, o Poder do Cidadão. Porque o comando para a mudança da sociedade está na política, e no negócio social está a solução para a vivência capitalista.
«Preciso de um partido para mudar o mundo», no Diário de Notícias.
«Ele acredita mesmo que vai mudar o mundo», no P2.
«Preciso de um partido para mudar o mundo», no Diário de Notícias.
«Ele acredita mesmo que vai mudar o mundo», no P2.
O divórcio europeu
A reacção é geral, e de insurgência: negar a uma cidadã alemã de origem marroquina o divórcio célere, baseando a negação na aplicação da sharia e num concreto versículo do Corão, é coisa para passar-se na Europa de há dois séculos. Não releva se a mulher casou segundo a lei islâmica. E tão pouco interessará sublinhar a protecção de valores culturais extrínsecos à Alemanha e à sua Lei. Está em causa, de acordo com o que tem sido escrito, a integridade física ou talvez mesmo a vida da dita mulher. E a sua dignidade, naturalmente.
A dois dias de comemorar cinquenta anos, a Europa Unida relembra-nos constantemente as suas origens económicas, o seu mercado, e menos a sua política e um seu être social.
A tentativa de harmonizar o Direita da Família, ou o Direito Privado em geral, é revelador. Quando na Alemanhã uma juíza prefere, num caso de divórcio, a aplicação da sharia à protecção de valores fundamentais consagrados na Constituição Alemã e na Carta Europeia dos Direitos Fundamentais, em Malta o divórcio é ilegal, a menos que o cônjuge seja estrangeiro ou se contratualize a separação (!) ou, com muita demora, seja possível anular o casamento civil. E na Polónia, essa recente conquista da União Europeia, não deve tardar a censura legal ao divórcio.
Não deixa de ser curioso que a desarmonia jurídica no Direito da Família - percorrendo-se um caminho sinuoso até à inovacação germânica da sharia - seja parte da revelação estrutural: o divórico da União e das sociedade europeias.
Não se engane o leitor. Sou Eurocrente. Mas uma Senhora com cinquenta anos devia ter mais maturidade.
A dois dias de comemorar cinquenta anos, a Europa Unida relembra-nos constantemente as suas origens económicas, o seu mercado, e menos a sua política e um seu être social.
A tentativa de harmonizar o Direita da Família, ou o Direito Privado em geral, é revelador. Quando na Alemanhã uma juíza prefere, num caso de divórcio, a aplicação da sharia à protecção de valores fundamentais consagrados na Constituição Alemã e na Carta Europeia dos Direitos Fundamentais, em Malta o divórcio é ilegal, a menos que o cônjuge seja estrangeiro ou se contratualize a separação (!) ou, com muita demora, seja possível anular o casamento civil. E na Polónia, essa recente conquista da União Europeia, não deve tardar a censura legal ao divórcio.
Não deixa de ser curioso que a desarmonia jurídica no Direito da Família - percorrendo-se um caminho sinuoso até à inovacação germânica da sharia - seja parte da revelação estrutural: o divórico da União e das sociedade europeias.
Não se engane o leitor. Sou Eurocrente. Mas uma Senhora com cinquenta anos devia ter mais maturidade.
22.3.07
O Knock Out orçamental do chancellor Brown

Gordon Brown apresentou ontem o seu 11.º e derradeiro orçamento, na Câmara dos Comuns. Um-zero, no despique Brow-Cameron.
Com toda uma encenação preparada pelos Tories – lá fora dezenas de improvisados «Gordon Brown’s» protestavam contra os «impostos escondidos» no orçamento (stealth tax) – o chancellor foi discursando, anunciando um orçamento neutro (a receita esperada é tanta quanto a despesa programada); a previsão de crescimento entre os 2,5 e os 3% para 2008; o aumento dos impostos sobre os veículos poluentes (que quase duplicam) e sobre o tabaco (11 pences por maço, mas IVA mais baixo nos programas de combate ao vício da nicotína) e algum alcóol – os «impostos sobre o pecado». E quando David Cameron já se recostava no seu assento verde – é impressionante como, na saga ecológica dos dois candidatos a Downing Street em 2010, tudo no Reino de Sua Majestade parece, de repente, verde – Brown anúncia uma redução de dois pontos percentuais na taxa base do imposto sobre o rendimento pessoal (o income tax britânico). Quase no final dos 47 minutos discursivos de Brown, Cameron jáz, surpreendido, K.O. Segue-se o mesmo anúncio para o imposto sobre o rendimento colectivo (o corporate tax), com a principal taxa do imposto a descer de 30 para 28%. Ainda ecoavam as palmas da assistência Trabalhista, esfuziantes com o desfecho do combate – e, raridade, Gordon Brown sorria – quando o chancellor anunciava, abafado pela euforia dos MP’s do New Labour, a diminuição do investimento público: 2%, de 2008 a 2010 – o pé de aquiles deste orçamento.
Os Tories ensaiaram, ainda espantados, uma reacção, que não ficou sem resposta: sim, a carga fiscal mantém-se, em geral, no mesmo nível; mas com uma deslocação do peso da tributação do rendimento pessoal para a tributação «verde».
Depois da maratona ambientalista da semana passada – sem vencedor na minha perspectiva, embora se diga que Cameron marcou pontos (interrogo-me como... a sugestão de tributar a utilização de transportes aéreos é ecologicamente anedótica, e o próprio Cameron foi «apanhado» a preferir o avião ao automóvel numa deslocação de meras 97 milhas...) – e quando os Tories reclamavam ruidosamente uma redução de impostos, que pelos vistos achavam impossível ou improvável, Brown, não abandonando o cinzentismo, contra-ataca e vence pela surpresa.
Julgo que o estilo será sempre o mesmo, e sempre cinzento, mesmo ante o esverdear do discurso. Num país que já aclamou o mesmo (colorido) Blair que agora repudia, o maior problema do chancellor é mesmo ser Trabalhista e o bem sucedido Ministro das Finanças da terceira via Blairista. Talvez em 2010 os eleitores se lembrem que Brown esperou uma longa década para ocupar o lugar que, inicialmente, lhe estava destinado. E se precisarem de argumentos, folhear o último livro do «pai ideológico» do New Labour, Anthony Giddens, «Over to You Mr. Brown», pode ajudar – receita-se descentralização de poderes como objectivo, onde Blair terá falhado. De resto, Gordon Brown deverá empenhar-se em garantir os bons resultados da (sua) economia e manter-se fiél à luta pela salvaguarda das utilities and public services – já anunciou, aliás, o seu enamoramento pela educação, patente neste orçamento.
Por agora, Gordon Brown virou o jogo e fez da sua arma de eleição – o orçamento – um instrumento de afirmação política pura. David Cameron will be back.... mas, arrisco, mais prudente e sem multidões mascaradas (vide páginas centrais do Público).
Registo de interesses – embora considere desnecessário, aqui fica: fosse eu cidadã do Reino Unido, e em 3 de Junho de 2010 votaria New Labour.
O Rato Mickey e o «grupo de amigos que se detestava cordialmente»...
Por cá, linhas alheias sobre o CDS-PP, ainda o CDS-PP...
Mário Bettencourt Resendes: Já foi o partido de Walt Disney. Invocava-se o rato Mickey como capaz de derrotar Paulo Portas, subentendia-se que haveria também uma Minnie (...)havia, no restante elenco, vilões, como os diabólicos irmãos Metralha e o pérfido João Bafo de Onça. E também outras figuras, como o milionário Patacôncio, símbolo de uma inveja amarga, o professor Pardal, cuja criatividade, supostamente genial, acabava, por norma, em catástrofe, o desastrado pato Peninha, o sortudo e elegante Gastão, que nunca entendeu que as mulheres (pelo menos na ficção infantil...) preferem os desafortunados. Ora, toda essa troupe reapareceu, em força, no último domingo, num hotel perto de Óbidos. Mas, ao contrário dos seriados assinados pela equipa de Walt Disney, não houve um final feliz. (O roteiro errado de uma história de Disney, Diário de Notícias).
Constança Cunha e Sá: No seu desencontrado percurso, o CDS, por oposição ao albergue ideológico em que se tinha transformado o PSD, especializou-se na pureza dos princípios e nas incompatibilidades doutrinárias e pessoais: foi centrista e democrata-cristão com Freitas do Amaral, liberal e de direita com Lucas Pires, social e católico com Adriano Moreira, populista e demagogo com Manuel Monteiro e Paulo Portas e, mais tarde, conservador e institucional, com Paulo Portas. (Ficções e Caricaturas, Público).
Mário Bettencourt Resendes: Já foi o partido de Walt Disney. Invocava-se o rato Mickey como capaz de derrotar Paulo Portas, subentendia-se que haveria também uma Minnie (...)havia, no restante elenco, vilões, como os diabólicos irmãos Metralha e o pérfido João Bafo de Onça. E também outras figuras, como o milionário Patacôncio, símbolo de uma inveja amarga, o professor Pardal, cuja criatividade, supostamente genial, acabava, por norma, em catástrofe, o desastrado pato Peninha, o sortudo e elegante Gastão, que nunca entendeu que as mulheres (pelo menos na ficção infantil...) preferem os desafortunados. Ora, toda essa troupe reapareceu, em força, no último domingo, num hotel perto de Óbidos. Mas, ao contrário dos seriados assinados pela equipa de Walt Disney, não houve um final feliz. (O roteiro errado de uma história de Disney, Diário de Notícias).
Constança Cunha e Sá: No seu desencontrado percurso, o CDS, por oposição ao albergue ideológico em que se tinha transformado o PSD, especializou-se na pureza dos princípios e nas incompatibilidades doutrinárias e pessoais: foi centrista e democrata-cristão com Freitas do Amaral, liberal e de direita com Lucas Pires, social e católico com Adriano Moreira, populista e demagogo com Manuel Monteiro e Paulo Portas e, mais tarde, conservador e institucional, com Paulo Portas. (Ficções e Caricaturas, Público).
A naturalidade do apoio de Chirac a Sarkosy
Cinco razões para Jacques Chirac apoiar Nicolas Sarkozy, nas presidenciais que se avizinham:
1. A UMP apoia Sarkozy
2. Sarkozy abandona o Governo na próxima segunda-feira
3. Sarkozy é o candidato da Direita
4. A UMP apoia Sarkozy
5. O minuto e meio de tempo de antena dedicado ao anúncio oficial e tardio de apoio à candidatura de Sarkozy não deu para expor meia dúzia de razões...
1. A UMP apoia Sarkozy
2. Sarkozy abandona o Governo na próxima segunda-feira
3. Sarkozy é o candidato da Direita
4. A UMP apoia Sarkozy
5. O minuto e meio de tempo de antena dedicado ao anúncio oficial e tardio de apoio à candidatura de Sarkozy não deu para expor meia dúzia de razões...
21.3.07
Menos poético, mas verdadeiro...
Com ou sem poesia, e mesmo com 3,9 por cento do PIB de défice anunciados pelo Primeiro-Ministro no debate mensal que venceu, com Paulo (outro) a suceder a Belmiro na SONAE, e Marques Mendes a ser igual a si próprio - o mesmo será dizer, um mau líder para esta oposição que vai pairando - o CDS-PP ressuscitado pelo ressurgido Portas marca a agenda. Abandonos, agressões, estatutos, congressos e directas... Eis Paulo Portas, o Alquimista.
Recomenda-se, sobre ele, a revisitação deste texto:
O grande alquimista da direita portuguesa, que esvaziou de tal forma o CDS-PP que sobrou apenas a ideia “o partido sou eu”, não conseguiu tudo aquilo com que sonhava, mas alcançou tanto quanto poderia.
Recomenda-se, sobre ele, a revisitação deste texto:
O grande alquimista da direita portuguesa, que esvaziou de tal forma o CDS-PP que sobrou apenas a ideia “o partido sou eu”, não conseguiu tudo aquilo com que sonhava, mas alcançou tanto quanto poderia.
Porque hoje é o Dia Mundial da Poesia
Ao rosto vulgar dos dias,
À vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.
Imaginar, primeiro, é ver.
Imaginar é conhecer, portanto agir.
«Ao Rosto Vulgar dos Dias»
Alexandre O'Neill
(E porque a nova biografia do poeta merece ser lida)
À vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.
Imaginar, primeiro, é ver.
Imaginar é conhecer, portanto agir.
«Ao Rosto Vulgar dos Dias»
Alexandre O'Neill
(E porque a nova biografia do poeta merece ser lida)
Três vírgula nove por cento
O número do défice português, em 2006.
Dados do INE.
Anúncio na Assembleia da República, no Debate Mensal, pela voz do Primeiro-Ministro.
Dados do INE.
Anúncio na Assembleia da República, no Debate Mensal, pela voz do Primeiro-Ministro.
Portugal-liberal
Linhas alheias, sobre a direita portuguesa e o «incidente» Popular:
Vicente Jorge Silva: Como o destino é terrivelmente cruel para aquele que sonhou transformar o partido do pequeno táxi numa armada invencível da direita portuguesa! Ele que tantas vezes prometeu mão dura contra os fautores da insegurança nas ruas e que deixa os seus fiéis vassalos à rédea solta, como meninos malcriados e traquinas agitando-se freneticamente em tropelias sobre as alcatifas dos salões! Ele que tanto cultivou a afectação snobe e o corte impecável dos lordes britânicos e agora surge como chefe de um pequeno bando de salteadores políticos, desvanecidos pela suprema glória de lhe entregarem directamente as chaves do querido táxi, esse lugar de origem da grande conspiração redentora da direita nacional! (O táxi vazio, Diário de Notícias).
Tiago Mendes: Mas a verdade é que, com ou sem este ou outro Portas, o CDS-PP nunca poderá ser uma alternativa propriamente liberal e eficaz. Na política, conta a “percepção”. E a “marca” CDS-PP tem duas marcas inapagáveis: a defesa intermitente e habitualmente oportunista de políticas liberais na economia; a defesa intransigente e legitimamente beatífica de políticas iliberais nos costumes. Um CDS-PP liberal, só em sonhos. (Alternativas Liberais, Diário Económico).
Vicente Jorge Silva: Como o destino é terrivelmente cruel para aquele que sonhou transformar o partido do pequeno táxi numa armada invencível da direita portuguesa! Ele que tantas vezes prometeu mão dura contra os fautores da insegurança nas ruas e que deixa os seus fiéis vassalos à rédea solta, como meninos malcriados e traquinas agitando-se freneticamente em tropelias sobre as alcatifas dos salões! Ele que tanto cultivou a afectação snobe e o corte impecável dos lordes britânicos e agora surge como chefe de um pequeno bando de salteadores políticos, desvanecidos pela suprema glória de lhe entregarem directamente as chaves do querido táxi, esse lugar de origem da grande conspiração redentora da direita nacional! (O táxi vazio, Diário de Notícias).
Tiago Mendes: Mas a verdade é que, com ou sem este ou outro Portas, o CDS-PP nunca poderá ser uma alternativa propriamente liberal e eficaz. Na política, conta a “percepção”. E a “marca” CDS-PP tem duas marcas inapagáveis: a defesa intermitente e habitualmente oportunista de políticas liberais na economia; a defesa intransigente e legitimamente beatífica de políticas iliberais nos costumes. Um CDS-PP liberal, só em sonhos. (Alternativas Liberais, Diário Económico).
19.3.07
Da normalidade
Volto eu a este país à beira-mar plantado, apenas para perceber que Portugal é feito de pequenos regressos: Pedro Santana Lopes, que tem andado por aí, pode afinal voltar para ali (o homem sobre quem Vasco Pulido Valente escreve que «nem dele sabia tomar conta», no Público de 18.03); e de eternas discussões: a democracia interna no CDS-PP viverá de mecanismos representativos ou participativos?
Os super-heróis também morrem?

O Capitão América morreu. Parece que subia umas escadarias, a caminho do Tribunal, algemado, para ser julgado por desobediência face a uma controversa lei - que obriga todos os super-heróis a registar-se junto das autoridades - ideia de um governo autoritário. Não sou fã do Capitão América, mas toda a gente sabe que os super-heróis não morrem. Não são finitos.
Lê-se na morte por bala do Capitão América o retrato simbólico da liberdade eliminada pela paranóia securitária. Mas parece que tudo não passa de uma encenação da indústria dos comics.
Pergunto-me: haverá um Capitão Polónia, morto por insubordinação à "Lei da Purificação Ideológica", recusando-se a garantir o seu certificado de limpeza política?
Bayrou e a fundação da VI República
Linhas alheias, de Teresa de Sousa, ontem, no Público:
...Em Fevereiro, anunciou a fórmula mágica - a "social-economia". Uma versão da economia social de mercado da velha democracia cristã europeia. De Giscard e de Veil, herdou a tradição europeísta da França. Sem ambiguidades. Não hesita em considerar a situação pior do que a que levou à instauração da V República em 1958 e é por isso que quer fundar a VI. Denuncia os "clãs e as máfias" que dominam a política e o Estado, apresentando-se como fiel às suas raízes rurais, antigo professor de província, o oposto das elites parisienses de espírito formatado pelas Grandes Écoles, sentado no velho Pony ou rodeado pelos seus cavalos. Os franceses adoram, mas será suficiente para fazer de Bayrou a escolha possível?...
("O terceiro homem que veio do Centro")
...Em Fevereiro, anunciou a fórmula mágica - a "social-economia". Uma versão da economia social de mercado da velha democracia cristã europeia. De Giscard e de Veil, herdou a tradição europeísta da França. Sem ambiguidades. Não hesita em considerar a situação pior do que a que levou à instauração da V República em 1958 e é por isso que quer fundar a VI. Denuncia os "clãs e as máfias" que dominam a política e o Estado, apresentando-se como fiel às suas raízes rurais, antigo professor de província, o oposto das elites parisienses de espírito formatado pelas Grandes Écoles, sentado no velho Pony ou rodeado pelos seus cavalos. Os franceses adoram, mas será suficiente para fazer de Bayrou a escolha possível?...
("O terceiro homem que veio do Centro")
17.3.07
Os gauleses estarão loucos?
Depois de meses de rivalidade integral entre a novel Ségolène Royal e o ex-pupilo de Chirac, Sarkozy, segue-se nova etapa nas Presidenciais Francesas 2007. Acabaram as fotografias de praia, já não se comentam as gaffes de Madame Royal ou a constante inclinação de Sarkozy para a direita. Chegou o terceiro elemento: Francois Bayrou, a roer os calcanhares da candidata do PS nas sondagens, com os dois óbvios presidenciaveis à frente, mas em queda.
Há cinco anos, Le Pen causou consternação quando seguiu Chirac na segunda volta, deixando na primeira volta e com cerca de 15% Lionel Jospin. Diz-se que desde então os franceses mudaram a sua percepção da coisa politica. E que nova percepção é essa? Pouca. Vazia. Reina a desconfianca nos politicos ditos tradicionais, na dicotomia esquerda-direita e seus actores de primeira linha. É Senhora a descrença - o Le Monde pergunta desde o Outono de 2006 se o resultado das presidenciais melhorará a situação da França, e desde então uma média de 36% dos franceses vem respondendo que pouco, e uma média de 17% acha mesmo que nada mudara.
Le Pen era fracturante. E Bayrou? É do centro-monótono. Líder da UDF (Uniao para a Democracia Francesa), que congregou os descontentes com a criação da UMP de Chirac e Sarkozy. De origens humildes, católico, pai de cinco, agricultor e criador de cavalos em part-time, foge ao sistema sem fugir a uma vulgaridade que o aproxima do cidadão comum. É o candidato anti-sistema, mas que tão bem se integra no sistema social.
Nesta sua nova percepção da coisa politica, parecia que os franceses queriam novidade: fosse o programa de proximidade e o género em Ségolène, fosse o confesso conservadorismo senhor da identidade nacional e salpicado de um ar de jovialidade, de Sarkozy. Parece que não. Se nos extremos tudo mudou - Le Pen tem cerca de 13% das intenções de voto, mas demorou a conseguir as 500 assinaturas de autarcas e oficiais públicos; a extrema-esquerda (o saco onde estão comunistas, trotskistas, verdes, altermundialistas) resume-se a 5% - no centro é que está a solução.
A resposta de Sarkozy foi uma nova descaída para a direita, pensando já em segurar os votos que desta vez Le Pen não levará para a segunda volta. Na campanha socialista, Fabius quer sorrir à esquerda - estratégia aparentemente errada, pois só 17% dos franceses dizem confiar na esquerda - e Straus-Khan quer empurrar ao centro. E os franceses insistem, de acordo com muitos indicadores, num Bayrou que venceria qualquer um dos presidenciaveis, na segunda ronda.
Achando, quiçá, que o céu terá já desabado sobre as suas cabeças, será ainda assim caso para perguntar se estes gauleses estarão loucos? Põe-se fim ao gaullismo, e chega um Presidente sem apoio parlamentar? Nao creio que a sentença última das divindades da pequena aldeia irredutivel tenha chegado. Bayrou não vencerá. Mas é ao centro, meus senhores, é na pontaria ao centro que os franceses parecem fazer as suas apostas...
Há cinco anos, Le Pen causou consternação quando seguiu Chirac na segunda volta, deixando na primeira volta e com cerca de 15% Lionel Jospin. Diz-se que desde então os franceses mudaram a sua percepção da coisa politica. E que nova percepção é essa? Pouca. Vazia. Reina a desconfianca nos politicos ditos tradicionais, na dicotomia esquerda-direita e seus actores de primeira linha. É Senhora a descrença - o Le Monde pergunta desde o Outono de 2006 se o resultado das presidenciais melhorará a situação da França, e desde então uma média de 36% dos franceses vem respondendo que pouco, e uma média de 17% acha mesmo que nada mudara.
Le Pen era fracturante. E Bayrou? É do centro-monótono. Líder da UDF (Uniao para a Democracia Francesa), que congregou os descontentes com a criação da UMP de Chirac e Sarkozy. De origens humildes, católico, pai de cinco, agricultor e criador de cavalos em part-time, foge ao sistema sem fugir a uma vulgaridade que o aproxima do cidadão comum. É o candidato anti-sistema, mas que tão bem se integra no sistema social.
Nesta sua nova percepção da coisa politica, parecia que os franceses queriam novidade: fosse o programa de proximidade e o género em Ségolène, fosse o confesso conservadorismo senhor da identidade nacional e salpicado de um ar de jovialidade, de Sarkozy. Parece que não. Se nos extremos tudo mudou - Le Pen tem cerca de 13% das intenções de voto, mas demorou a conseguir as 500 assinaturas de autarcas e oficiais públicos; a extrema-esquerda (o saco onde estão comunistas, trotskistas, verdes, altermundialistas) resume-se a 5% - no centro é que está a solução.
A resposta de Sarkozy foi uma nova descaída para a direita, pensando já em segurar os votos que desta vez Le Pen não levará para a segunda volta. Na campanha socialista, Fabius quer sorrir à esquerda - estratégia aparentemente errada, pois só 17% dos franceses dizem confiar na esquerda - e Straus-Khan quer empurrar ao centro. E os franceses insistem, de acordo com muitos indicadores, num Bayrou que venceria qualquer um dos presidenciaveis, na segunda ronda.
Achando, quiçá, que o céu terá já desabado sobre as suas cabeças, será ainda assim caso para perguntar se estes gauleses estarão loucos? Põe-se fim ao gaullismo, e chega um Presidente sem apoio parlamentar? Nao creio que a sentença última das divindades da pequena aldeia irredutivel tenha chegado. Bayrou não vencerá. Mas é ao centro, meus senhores, é na pontaria ao centro que os franceses parecem fazer as suas apostas...
Caça às bruxas polacas
E na Polónia, 700 mil polacos estão obrigados, desde o dia 15 deste mês, a garantir para si um certificado de limpeza politica = certificacao de não colaboracionismo com o regime comunista que caíu em 1989. Jornalistas, funcionários públicos e professores maiores de idade em 89 são o alvo da campanha de decantação ideológica dos gémeos Kaczynski - Lech, o Presidente, e Jaroslaw, o Primeiro-Ministro.
O Instituo da Memória Nacional cruzará os dados fornecidos por estes 700 mil polacos com os arquivos da antiga policia política, cujos relatórios são tidos por pouco verosímeis, dada a tendência dos agentes secretos do regime para o relato da inverdade.
Aguarda-se ansiosamente, na Polónia e na União Europeia, que o Constitucional polaco trave a legislacao pro-purificação ideológica. Do comunismo ao ultra-conservadorismo, a Polónia é hoje um problema europeu, mas os gemeos Kaczynski amigos dos EUA. Onde a caça às bruxas fez furor, há muitas décadas, ainda a preto e branco...
O Instituo da Memória Nacional cruzará os dados fornecidos por estes 700 mil polacos com os arquivos da antiga policia política, cujos relatórios são tidos por pouco verosímeis, dada a tendência dos agentes secretos do regime para o relato da inverdade.
Aguarda-se ansiosamente, na Polónia e na União Europeia, que o Constitucional polaco trave a legislacao pro-purificação ideológica. Do comunismo ao ultra-conservadorismo, a Polónia é hoje um problema europeu, mas os gemeos Kaczynski amigos dos EUA. Onde a caça às bruxas fez furor, há muitas décadas, ainda a preto e branco...
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