Contra o dia burocrático e o modo funcionário de viver

3.5.07

Lá vai Carmona...



... sempre a somar pontos e capital da simpatia de todos quantos entendem que os partidos expelem os corpos estranhos, também conhecidos como independentes.
Adivinhando o corrupio consternado na Rua de São Caetano, pergunto: e agora, Dr. Marques Mendes? Como acaba este enredo que foi criando e agora lhe foge e parece não ter fim?
O barco agita-se, agita-se muito, e Carmona não quer ser o primeiro a saltar borda fora...
Veremos quem salta. E para quando.

2.5.07

Ao centro, no centro e para o centro










Le Pen apela à abstenção em massa do seu eleitorado. Talvez confundindo os seus 11% com um voto massivo, e o jogo democrático com as vontades caprichosas da sua extrema-direita.
Bayrou pode ser primeiro-ministro, mas Strauss-Khan também. E Sarkozy, o enfant terrible que, reciclado, não quer mostrar-se terrible, perde terreno, quotidianamente, para Royal.
E o vencedor é.....?

Chávez, o imparável


As instituições de Bretton Woods vão mal, é sabido. A metodologia impositiva do FMI tem sido severamente criticada, numa das melhores versões pelo Nobel da Economia Joseph Stiglitz. O Banco Mundial está envolto num escândalo de proporções cor-de-rosa. Mas se houve lição que o mundo aprendeu depois da Segunda Guerra Mundial foi essa das vantagens do multilateralismo, e a pretensão de manter esse estado de coisas nas relações económicas internacionais.
Pois Chávez, esse arauto de um neo-socialismo sul-americano, decidiu a retirada da Venezuela do FMI e do Banco Mundial. Com o petróleo e recursos afins nacionalizados, os perigos capitalistas hostilizados e um conjunto de discípulos nos países vizinhos, vai sendo tempo de perceber que a América do Sul - onde os objectivos do milénio, estabelecidos pela ONU, se apartam do cumprimento - é um enorme conjunto de problemas, potenciais e efectivos, mas já transcendendo o aparente.

De volta.

26.4.07

Os vizinhos do lado

Passados trinta e três anos sobre a Revolução, mudado o rosto, os caminhos e sobretudo o caminho do Portugal democrático, os traços genéticos de um povo que viveu décadas fechado sobre si foram, em parte, substituídos pela modernidade de pensamento, mas noutra mantida a pequenez de vistas e uma incapacidade genérica de dizer bem de um, dizendo-se, com muito determinada facilidade, bem de muitos desde que integrem uma massa indistinta ou que dela pouco se destaquem. Se Amália já nos morreu, Eusébio está a salvo, o fadinho deste povo que se esforça por manter só sua a palavra «saudade» vai-se mantendo pequeno quando pensante no que faz o vizinho do lado.
Passados trinta e três anos sobre a Revolução, mudou tudo e continuamos nós muito iguais a nós próprios. Muito diferentes, mas em permanente comentário sobre o alheio.

Sempre


Comemorado ontem, mas para lembrar sempre.
Como faz o meu amigo Pedro Marques Lopes.

23.4.07

Any given weekend

Esperava-se, com pouca agitação, pelas eleições deste fim-de-semana.
Na nossa versão lusa, pouco mais poderíamos esperar senão mais do mesmo, permanecendo a escassa dúvida sobre que mesmo seria esse. Paulo Portas venceu, aparentemente apenas não convenceu os militantes do CDS-PP de Viana do Castelo, e convenceu os portugueses de que a direita vai ganhar outro fôlego e desafiar o governo socialista. Confesso que vi apenas o sorriso de Paulo Portas, vitorioso, de volta, depois de ter andado, muito presente, por aqui e ali. Um sorriso impoluto que ganhou a fotografia toda.
Nas presidenciais francesas, aquelas que todo um Portugal pretendeu ignorar, Sarkozy venceu a primeira volta e Ségolène seguiu-o. Estranho seria se Bayrou tivesse cativado no centro-cinza, se mais de 11% dos eleitores franceses revelassem a sua intensa xenofobia e Le Pen, existindo a alternativa de protesto Bayrou, tivesse pulado para os antes previstos 16%. Na terra da liberdade, chegará Sarkozy ao Domínio dos Deuses? Como escreve o El Pais de hoje, a verdadeira batalha começou ontem. Pela revisitação da V República, ou por uma novel criada VI República?

17.4.07

Lei n.º 16/2007, de 17 de Abril

Exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntário da gravidez

Artigo 1.º
O artigo 142.º do Código Penal, com redacção que lhe foi introduzido pelo Decreto-Lei n.º 48/95, de 15 de março, e pelo Lei n.º 90/97, de 30 de Julho, passa a ter a seguinte redacção:

«Artigo 142.º
1- Não é punível a interrupção da gravidez efectuada por médico, ou sob a sua direcção, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido e com o consentimento da mulher grávida, quando:
a)......................................
b)......................................
c)Houver seguros motivos para prever que o nascituro virá a sofrer , de forma incurável, de grave doença ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, excepcionando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo;
d) .....................................
e) For realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas de gravidez.

16.4.07

Um popular partido




No Partido Popular, Paulinho das feiras foi
sucedido por Ribeiro e Castro dos bailaricos,
que poderá ser sucedido por Paulinho das feiras.

15.4.07

Em antena...

... a convite do Pedro Rolo Duarte, esta manhã, na Antena 1.
Uma boa conversa sobre blogues, este blogue, escrita, política, a aridez ou o dinamismo das coisas.
Obrigada pelo convite, Pedro.

14.4.07

Sem título.


Parece-me que somos todos nacionalistas. Ou rogar pragas de manhã no trânsito, fazer uso do lusitano fadinho e queixarmo-nos do estado de todas as coisas, dar um ou outro murro na mesa quando equipas espanholas eliminam o Benfica da Taça UEFA e esboçarmos um «eu sabia» face à má figura de Zidane, tão somente porque nas meias-finais do Mundial voltámos a ser eliminados pela França, e detestar as segundas-feiras porque nos inibem de prolongar a fotosíntese do fim-de-semana, faz de nós menos amantes de Portugal?
Ah, isso e precisar de pilhas a meio da tarde de um domingo e num raio de quilometros apenas uma loja propriedade de um senhor nacional da China se encontrar aberta, e estar consciente que chego de Lisboa ao Porto em três horas graças aos fundos comunitários e que a inversão da tendência da pirâmide etária apenas sucederá de forma cosmopolita... serei menos portuguesa por tudo isto?

O referendo

Não tenho por hábito mudar de opinião, não tendo também das coisas uma visão absoluta que me leve a considerar que, como a rábula, raramente tenha dúvidas ou engano.
Defendi, no plano da ausência de legitimidade popular bastante da União Europeia, ou do seu marcado défice, que o Projecto de Tratado que Estabelece Uma Constituição para a Europa seria, apesar de todas as deficiências, um instrumento útil de legitimação (num texto académico publicado sobre o tema Constituição e Legitimidade Social da União Europeia). Para tal, entre condições várias e idealmente deveria ser referendado em todos os Estados-Membros da União.
E assim permanece a minha opinião. Mas aquele Projecto de tanta coisa e coisa alguma, falhou vários dos objectivos que geneticamente o sustentavam. A questão constitucional deve marcar a agenda, e gostava eu que marcasse a nossa Presidência.
Referendar ou não referendar?
Uma Constituição sim, aquele Projecto adiado e readiado, também já não sei se será a questão.

Sombras Chinesas


Todos nós, sem que exista alma imaculada que sempre tenha resistido à tentação, já nos fizemos passar pelo que não somos. Por alguma personagem que não é a nossa, e construímos e desconstruímos e o real continua.
Curiosa é a percepção alheia desta (re)invenção de nós próprios. Fazemo-nos passar por algo que não somos a mais das vezes sem dano ou ofensa a outros e à realidade. E, parece-me, a percepção dos outros é nula, inexistente ou iludida, nestas trocas momentâneas connosco próprios.
É certo que fazermo-nos passar por aquilo que não somos pode induzir gravidade e perigo no quotidiano. Pode magoar terceiros, pode criar um jogo de sombras chinesas duradouro. Pode ser criminoso, e há a justiça sistemática dos homens e há outras. Mas esta passagem por coisa que se não é, é do foro próprio. Já a acusação de que nos fazemos passar por aquilo que não somos faz parte de outros jogos, por vezes bem mais sinistros e de métricas que se distanciam da verdade. É sempre curioso observar como os outros fazem de nós o que querem, fazendo-nos passar por aquilo que, sem procurarmos ser, realmente não somos.

10.4.07

PROMULGADA

Foram muitos anos de espera. Décadas.
O Presidente da República promulgou ontem a alteração ao Código Penal que despenaliza a interrupção voluntária da gravidez realizada a pedido da mulher, até às 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado.
Finalmente. Amigos, companheiros e camaradas. Sem júbilo, porque já íamos tarde.
Finalmente. Mesmo com Mensagem.

Asterix Gladiador



Os candidatos presidenciais da Direita francesa falaram às elites e o seu reflexo nos meios de acesso popular - também conhecidos como comunicação social - deu brado.
Sarkozy, entrevistado pelo filósofo Michel Onfray para a Philosophie Magazine, diz-se levado a crer que os pedófilos nascem ja com tal patologia - cuja a inexistente cura o preocupa - e que o suicídio juvenil é consequência de um sofrimento e fragilidade genéticos. Ségolène Royal queixou-se, e bem, que se ousasse filosofar pelos campos da genética e da ciência com tamanha displicência, o céu cairia sobre a sua cabeça.
Le Pen, em visita ao Instituto de Ciências Políticas de Paris - que teve por banda sonora a constante interrupção do discurso por gritos adjectivantes de «racista» e «fascista» - defendeu a proibição da distribuição de preservativos nos estabelecimentos do ensino secundário, pois à disposição da mulher estará o anticoncepcional por excelência: a masturbação.
A sensibilidade desta Direita, conservadora e extrema, é extraordinária. A programas económicos ultraliberais correspondem idearios ultraconservadores nos costumes, uma visão xenófoba da França e uma incompreensão social inflexível. Mas, por Toutatis, um destes Senhores é possível Presidente gaulês e o já chamado maestro secreto da campanha soma 16% das intenções de voto.
Perante uns boquiabertos Royal e Bayrou, a Direita prossegue, neste tom, a sua Volta à Gália. Uderzo tem nesta corrida ao Eliseu uma inesgotável fonte não de poção, mas de inspiração.

9.4.07

ABC Popular

Partido sexy: um partido bibelot do regime, um partido plasticina, um partido jeitoso.
in «Dicionário de Recandidatura à Liderança do CDS-PP, contra os aliados objectivos e subjectivos do primeiro-ministro do PS».
Autor: José Ribeiro e Castro

Início de semana




Semana organizada.
Camisas brancas de Doris Salcedo, 1988/1990
Anos 80, Museu Serralves

5.4.07

Coisas deste fim-de-semana

O Jornal de Letras e a autobiografia de José Medeiros Ferreira.
Absinthe dos Ibrahim Electric, um trio de jazz muito plural.
A Antologia Poética de César Vallejo.
Clubbing na Casa da Música, para Páscoas a Norte.
Inland Empire, David Linch volta a filmar Laura Dern.

Diz que é a melhor espécie de resposta

Parabéns a (nós) todos

Os blogues fazem dez anos de existência, noticia o DN. Ou melhor, passam hoje dez anos desde o dia de criação do primeiríssimo blogue.
Parece, então, que toda a blogosfera está de parabéns.