

Os candidatos presidenciais da Direita francesa falaram às elites e o seu reflexo nos meios de acesso popular - também conhecidos como
comunicação social - deu brado.
Sarkozy, entrevistado pelo filósofo Michel Onfray para a
Philosophie Magazine, diz-se levado a crer que os pedófilos nascem ja com tal patologia - cuja a inexistente cura o preocupa - e que o suicídio juvenil é consequência de um sofrimento e fragilidade genéticos. Ségolène Royal queixou-se, e bem, que se ousasse filosofar pelos campos da genética e da ciência com tamanha displicência, o céu cairia sobre a sua cabeça.
Le Pen, em visita ao Instituto de Ciências Políticas de Paris - que teve por banda sonora a constante interrupção do discurso por gritos adjectivantes de «racista» e «fascista» - defendeu a proibição da distribuição de preservativos nos estabelecimentos do ensino secundário, pois à disposição da mulher estará o anticoncepcional
por excelência: a masturbação.
A sensibilidade desta Direita, conservadora e extrema, é extraordinária. A programas económicos ultraliberais correspondem idearios ultraconservadores nos costumes, uma visão xenófoba da França e uma incompreensão social inflexível. Mas,
por Toutatis, um destes Senhores é possível Presidente gaulês e o já chamado
maestro secreto da campanha soma 16% das intenções de voto.
Perante uns boquiabertos Royal e Bayrou, a Direita prossegue, neste tom, a sua
Volta à Gália. Uderzo tem nesta corrida ao Eliseu uma inesgotável fonte não de poção, mas de inspiração.