
Há direitos que assistem a qualquer pessoa. Militante de um partido político, independente - estatuto a que se vem conferindo uma natureza para-divina, distante da mesquinhez que ocupa os seres terrenos -, simples e anonimamente cidadão.
Enquanto advogado, Sá Fernandes usou o arsenal jurídico seu conhecido para marcar a sua opinião e, vê-se hoje, o seu espaço. Foi eleito Vereador e o estilo agudizou-se. Mas está no seu direito.
Helena Roseta resolve candidatar-se à Presidência - ou, mais modestamente, à Vereação - da Câmara Municipal de Lisboa, nas intercalares marcadas agora para o dia 1 de Julho. No uso pleno de um seu direito. Antecipou-se, reactivamente a uma aparente não reacção, e assume-se, uma vez mais, como o rosto da cidadania. Dos cidadãos.
Considero que o único direito de que Helena Roseta fez uso foi o de candidatar-se a um cargo público. Sem mais. Acessível a qualquer um de nós - a menos que consideremos uma candidatura presidencial e estejamos abaixo dos 35 anos. Talvez, também, e como dizia o outro, o direito à indignação.
Mas não encontro sombra de estoicismo, bravura ou heroísmo no acto de candidatura. Helena Roseta tem ido a muitas. Em homenagem ao que entendeu, e onde nunca me revi. Mas a menos que a persistência em contrição seja uma virtude ímpar, direi apenas que uma lisboeta quer governar a cidade. E que me cansa o discurso da cidadania, vindo daqueles que acusam os partidos de sufocar o exercício daquela, mas não abdicam da militância sufocadora naqueles. E neste equilíbrio vão habitando o espaço político.
Posso, no entanto, perspectivar as coisas de outro modo: será bravo todo aquele que se predisponha a governar Lisboa por dois anos, com uma assembleia municipal que passa incólume ao terramoto, e com uma estrutura orgânica, pessoal e financeira cuja solidez é próxima à de um areal sob o ataque de marés vivas.
Bravos, vinde!















