Durante os dias em que a Moda Lisboa decorre, há larica, mas champanhe – o que é bom, porque «bate» mais depressa (...) Esta malta vive três ou quatro dias de deslumbramento e depois volta para casa já sem saber se está mal da ressaca ou do vazio de tanto irreal social. Há os que querendo parecer realmente importantes se sentam nas filas dianteiras da passerelle e depois, atónitos perante o reparo da relações-públicas perguntam: «Mas você sabe quem sou?» Às vezes não se sabe, outras vezes sabe-se mas a criatura não é suficientemente conhecida para estar ali...
Inês Meneses
Notícias Magazine, 14.10.2007
Benedetta Barzini é uma maquina, substantivo singular feminino, serena, de fazer perguntas. Uma máquina-modelo italiana, professora de Sociologia e Cultura da Moda na Faculdade de Arquitectura de Milão e que falou sexta-feira na Faculdade de Arquitectura de Lisboa sobre roupa, sociedade e moda. Falou e depois foi assistir aos desfiles da ModaLisboa em Cascais (...) Na Cidadela de Cascais, durante a ModaLisboa, Benedetta Barzini desliza por entre a multidão, descontraída, desassombrada (...) Como se o ar colectivo já não estivesse carregado de preocupações, quer lançar nele mais perguntas. “As roupas nunca mentem sobre a sociedade em que estamos”. “Por que é que devo ser escrava de uma marca, porque devo contar ser respeitada por usar um fato Armani? Penso que um fato Armani deve estar ao meu serviço e não o contrário”.
Joana Amaral Cardoso
P2, 14.10.2007
Contra o dia burocrático e o modo funcionário de viver
15.10.07
9.10.07
As setas mágicas
Na edição de hoje, o Jornal de Negócios coloca António Costa com uma seta para baixo, em virtude das conclusões do estudo da consultora imobiliária Cushman & Wakefield, que o JN publica, revelarem que Lisboa é uma cidade com escassos motivos de atracção.
Ora, é de uma tremenda injustiça colocar o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa em sentido descendente no «Elevador» do JN, quando se coloca nesse sentido alguém que tomou posse em 1 de Agosto – já lá vão... dois meses e nove dias?
Não é novidade alguma que eu apoiei a candidatura de António Costa, e continuo a apoiar, agora a sua presidência. Sendo também verdade que o próprio JN remata o comentário que acompanha a mágica seta com a afirmação: «Seria injusto responsabilizar o actual presidente da Câmara pela imagem modesta da cidade, mas fica o registo de problemas a ultrapassar para colocar Lisboa no mapa dos negócios».
Injusto, injusto, mas a seta está lá. E como «quem não se sente, não é filho de boa gente», fica o arejo.
Ora, é de uma tremenda injustiça colocar o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa em sentido descendente no «Elevador» do JN, quando se coloca nesse sentido alguém que tomou posse em 1 de Agosto – já lá vão... dois meses e nove dias?
Não é novidade alguma que eu apoiei a candidatura de António Costa, e continuo a apoiar, agora a sua presidência. Sendo também verdade que o próprio JN remata o comentário que acompanha a mágica seta com a afirmação: «Seria injusto responsabilizar o actual presidente da Câmara pela imagem modesta da cidade, mas fica o registo de problemas a ultrapassar para colocar Lisboa no mapa dos negócios».
Injusto, injusto, mas a seta está lá. E como «quem não se sente, não é filho de boa gente», fica o arejo.
8.10.07
Gémeos II

Não, não é a sequela do filme do início dos anos noventa, com a improvável dupla de gémeos Danny DeVito/ Arnold Schwarzenegger. É tão-somente a reedição do governo ultra-conservador dos gémeos Kaczynski, nas legislativas antecipadas na Polónia, como notícia a Lusa. E começa a semana com este panorama na cena internacional… Não há Tratado que resista ou exista…
(Cartoon de Rainer Hachfeld)
Polónia/Eleições
Sondagens dão vitória aos gémeos Kaczynski a 13 dias das legislativas antecipadas
2007-10-08, 12h41
Varsóvia, 08 Out (Lusa) - O partido Lei e Justiça (PiS) dos gémeos Kaczynski ganhará as eleições legislativas de 21 de Outubro na Polónia, ao obter mais cinco pontos percentuais que os liberais da Plataforma Cívica, indicam hoje as últimas sondagens.
A apenas 13 dias da realização das eleições antecipadas na Polónia, tudo indica que os ultra-conservadores, liderados pelo Presidente Lech Kaczynski e pelo primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski, repetirão a vitória e voltarão a governar, de acordo com a última sondagem, hoje publicada pelo instituto PBS-DGA.
Segundo esta sondagem, o partido Lei e Justiça obterá 37 por cento dos votos, enquanto o rival directo, o Plataforma Cívica não deverá ultrapassar 32 por cento, ou seja, menos cinco pontos percentuais.
Esta sondagem é a que até agora dá maior vantagem ao partido dos irmãos Kaczynski, que nas sondagens das últimas semanas aparecia praticamente empatado com os liberais.
A sondagem indica que o terceiro partido mais votado nas legislativas será a formação do ex-presidente Aleksander Kwasniewski, Esquerda e Democracia, que obterá 16 por cento dos votos, convertendo-se na força política decisiva para fechar acordos pós-eleitorais, já que não se prevê que qualquer partido obtenha a maioria absoluta.
O partido ultra-católico Liga das Famílias Polacas (LPR) deverá, de acordo com esta sondagem, ficar fora do Parlamento, ao obter apenas três por cento votos, percentagem aquém do mínimo, de cinco pontos percentuais, necessários para aceder, refere a sondagem.
Por outro lado, a sondagem refere ainda que o Partido Camponês e os radicais populistas do Autodefesa deverão conseguir obter cinco por cento dos votos cada um.
3.10.07
2.10.07
Preocupações cromáticas

Recebi este e-mail, do Terra do Sol, e não resisti a publicá-lo! Aqui vai:
«ALERTA LARANJA!
De acordo com a previsão do Instituto de Meteorologia, o território de Portugal Continental está a sofrer a influência da passagem de uma superfície frontal que irá provocar episódios de forte instabilidade nos distritos de Setúbal, Évora, Beja e Faro...»
1.10.07
«Abortos voluntários nos hospitais são metade das estimativas»
Os profetas da desgraça tiveram um despertar amargo. A leitura matinal do Público anuncia em letras garrafais de manchete em quase meia página, o balanço do óbvio: a alteração do Código Penal em matéria de interrupção voluntária da gravidez, na sequência do referendo de Fevereiro, não trouxe um abortion boom. As previsões do coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva parecem ficar-se pela metade do inicialmente estimado.
Dando os números às coisas, e a verdade dos factos aos argumentos, o acréscimo de liberdade não revelou irresponsabilidade. Aguardo ansiosamente, em cenas dos próximos capítulos, a estatística comparativa dos ganhos preventivos e efectivos de saúde pública.
Dando os números às coisas, e a verdade dos factos aos argumentos, o acréscimo de liberdade não revelou irresponsabilidade. Aguardo ansiosamente, em cenas dos próximos capítulos, a estatística comparativa dos ganhos preventivos e efectivos de saúde pública.
Não tenho reserva para esta semana...
Às vezes apetece jogar mikado com gressinos, e num Domingo à noite achar que o palato atento saberá comprazer-se com a semana que começa amanhã e que vai ser melhor. Às vezes, sem reserva, apetece achar que a semana vai ser como um arrumado e atraente prato da nouvelle cuisine, ou de perdiz com trufas negras. Os olhos também comem. E o humor também.
Na simplicidade não intelectualizada, no escuro da sala de cinema, quase se consegue cheirar os aromas de uma gastronomia refinada, e antever olfaticamente a chuva, o meio-sol, o papel e a tinta de caneta, o trânsito, as reuniões enfileiradas, as aulas, os e-mail, o feriado. E adivinhar coisas igualmente apetitosas, para que a semana seja assim.
Na simplicidade não intelectualizada, no escuro da sala de cinema, quase se consegue cheirar os aromas de uma gastronomia refinada, e antever olfaticamente a chuva, o meio-sol, o papel e a tinta de caneta, o trânsito, as reuniões enfileiradas, as aulas, os e-mail, o feriado. E adivinhar coisas igualmente apetitosas, para que a semana seja assim.
12.9.07
Surprise, shock, bolt from the blue, by Sir Menzies Campbell
Os liberais democratas anunciam, pela voz do seu líder, Sir Menzies Campbell, entrevistado na edição de hoje do Financial Times, que são contra um referendo ao Tratado Reformador, pela inevitabilidade do não britânico.
Surpresa e choque tomaram de assalto os leitores do diário de referência. Quase o mesmo efeito provocado pelo MNE britânico, David Miliband, quando aproveitou o encontro de Viana do Castelo para oferecer ao demais 26 que não pretendem adoptar o Tratado.
Corrijo-me: «demais 25», pois o governo polaco, liderado pelos geminados arautos da democracia mundial, os Kaczynski, já haviam anunciado que pretendem continuar a promover as «enxaquecas europeias» da União.
Surpresa e choque tomaram de assalto os leitores do diário de referência. Quase o mesmo efeito provocado pelo MNE britânico, David Miliband, quando aproveitou o encontro de Viana do Castelo para oferecer ao demais 26 que não pretendem adoptar o Tratado.
Corrijo-me: «demais 25», pois o governo polaco, liderado pelos geminados arautos da democracia mundial, os Kaczynski, já haviam anunciado que pretendem continuar a promover as «enxaquecas europeias» da União.
2.9.07
«Folheto» ou o post-férias...
Antes de deixar o linha.de.conta ao abandono, novamente, em nome do descanso estival e de umas curtas férias, fica a poesia polaca - e os polacos estão tão necessitados de poesia, face ao sinistro-fantástico do duo que os governa - para aqueles que regressam. O «folheto» (1972), de Wislawa Szymborska, que me foi apresentada há tempos. AMN, voltarei cheia de criatividade e temas, prometo!
Sou o comprimido calmante.
Actuo em casa,
sou eficaz na repartição,
sento-me no exame,
apresento-me em tribunal,
colo minuciosamente a louça partida.
Basta que me tomes,
que me ponhas debaixo da língua,
que me engulas
com um copo de água.
Sei o que fazer na desgraça,
como aguentar a má notícia,
diminuir a injustiça,
desanuviar a falta de Deus,
escolher o chapéu de luto a condizer.
Por que esperas?
Confia na piedade química.
Ainda és jovem,
tens que te governar.
Quem disse que se deve enfrentar a vida?
Entrega-me o teu abismo,
vou aconchegá-lo com o sono,
ser-me-ás grato,
darás a volta por cima.
Vende-me a tua alma.
Não haverá melhor comprador.
Outro diabo já não existe.
Sou o comprimido calmante.
Actuo em casa,
sou eficaz na repartição,
sento-me no exame,
apresento-me em tribunal,
colo minuciosamente a louça partida.
Basta que me tomes,
que me ponhas debaixo da língua,
que me engulas
com um copo de água.
Sei o que fazer na desgraça,
como aguentar a má notícia,
diminuir a injustiça,
desanuviar a falta de Deus,
escolher o chapéu de luto a condizer.
Por que esperas?
Confia na piedade química.
Ainda és jovem,
tens que te governar.
Quem disse que se deve enfrentar a vida?
Entrega-me o teu abismo,
vou aconchegá-lo com o sono,
ser-me-ás grato,
darás a volta por cima.
Vende-me a tua alma.
Não haverá melhor comprador.
Outro diabo já não existe.
27.8.07
O vai-e-vem - EPC, 25.08.2007

Confesso que não era a maior das admiradoras de Eduardo Prado Coelho. Admirava-lhe a escrita, a dinâmica de pensamento. Discordava da opinião e produção muitas vezes. Mas há pessoas que julgamos imunes ao vai-e-vem da vida e ao «escândalo objectivo» da morte. Cheguei ontem de férias e dei com a «silly season» interrompida pela objectividade crua da sujeição de todos às regras desse vai-e-vem. Depois da doença, da retirada lenta e progressiva, EPC morreu. Ao ultraje segue-se o vazio. Mesmo na discordância sinto-lhe – sente-se - a falta, e ainda só lá vão dois dias.
3.7.07
30.6.07
Os Presidentes
Passou um mês e meio, e finalmente – porque já sentia falta – o linha.de.conta regressa ao activo. Regressa com o sol.
Neste espaço de tempo, Nicolas Sarkozy foi eleito e reeleito Presidente da magna França, formou um governo cosmopolita, plural e paritário e deu aos gauleses – que já não são irredutíveis – uma primeira-dama. Depois das legislativas, a sua rival Royal propôs-se à renovação do PSF deixando Hollande de lado por infidelidades várias – e animados e cor-de-rosa continuaram os franceses – e quer ser presidente de (todos?) os socialistas franceses. Assim foi a França.
Sem direito a título presidencial, Tony Blair foi-se embora. Ou talvez não.... A apoteótica saída da Casa dos Comuns e o sorriso de marca foi mostrando, ao longo do marcado dia 27, que Gordon Brown é um britânico como a meteorologia do país: cinzento, mas muito esforçado. A paciência de quem esperou décadas ao leme do Tesouro, oferecendo ao Reino Unido dez anos de crescimento económico, foi recompensada. E Elisabete II ganhou o seu 11.º Primeiro-Ministro. Assim está o Reino Unido.
E por cá? O nosso Presidente visitou os Estados Unidos, a comunidade e os brilhantes alunos que perdemos para os americanos, mas do périplo não constou a fotografia da praxe na Casa Branca. George W. Bush, arauto das boas relações e diplomata militante, ignorou o Presidente Cavaco Silva e não o recebeu. Ainda que a Portugal calhe a Presidência da União Europeia a partir de amanhã. Assim foi nos States.
Por cá, geograficamente por cá, José Sócrates será Presidente do Conselho da UE por seis meses. Prognostica-se a orfandade do governo nacional, a desatenção à política interna, e etc. e etc. Há lições que se aprendem com facilidade, e esta da atenção simultânea à chefia do governo e à presidência europeia, José Sócrates terá aprendido, seguramente. Assim andará Portugal nos próximos seis meses.
E a última presidência desta selecção de regresso: Lisboa. Ou será.... Sintra, ou Azambuja, como poderia bem enganar-se Fernando Negrão? Não, não é nem IPPAR, nem EPAL, e é mesmo a Presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Não preciso de registo de interesses, mas fica: apoio rigorosamente António Costa. Estou certa de que será o Presidente da capital a partir de 15 de Julho. Espero que não se pulverizem votos misturados com abstenção dos veraneantes, e que venha a maioria absoluta. Sob pena de o executivo municipal se revelar uma verdadeira Casa dos Comuns – aliás, após o fogo nos Paços do Concelho, a sala de sessões públicas da Câmara foi reconstruída à semelhança da sala onde reúnem os Comuns britânicos – num dia tétrico de discussão infinda e resolução nula. Espero que Lisboa não ande assim nos próximos dois anos.
Neste espaço de tempo, Nicolas Sarkozy foi eleito e reeleito Presidente da magna França, formou um governo cosmopolita, plural e paritário e deu aos gauleses – que já não são irredutíveis – uma primeira-dama. Depois das legislativas, a sua rival Royal propôs-se à renovação do PSF deixando Hollande de lado por infidelidades várias – e animados e cor-de-rosa continuaram os franceses – e quer ser presidente de (todos?) os socialistas franceses. Assim foi a França.
Sem direito a título presidencial, Tony Blair foi-se embora. Ou talvez não.... A apoteótica saída da Casa dos Comuns e o sorriso de marca foi mostrando, ao longo do marcado dia 27, que Gordon Brown é um britânico como a meteorologia do país: cinzento, mas muito esforçado. A paciência de quem esperou décadas ao leme do Tesouro, oferecendo ao Reino Unido dez anos de crescimento económico, foi recompensada. E Elisabete II ganhou o seu 11.º Primeiro-Ministro. Assim está o Reino Unido.
E por cá? O nosso Presidente visitou os Estados Unidos, a comunidade e os brilhantes alunos que perdemos para os americanos, mas do périplo não constou a fotografia da praxe na Casa Branca. George W. Bush, arauto das boas relações e diplomata militante, ignorou o Presidente Cavaco Silva e não o recebeu. Ainda que a Portugal calhe a Presidência da União Europeia a partir de amanhã. Assim foi nos States.
Por cá, geograficamente por cá, José Sócrates será Presidente do Conselho da UE por seis meses. Prognostica-se a orfandade do governo nacional, a desatenção à política interna, e etc. e etc. Há lições que se aprendem com facilidade, e esta da atenção simultânea à chefia do governo e à presidência europeia, José Sócrates terá aprendido, seguramente. Assim andará Portugal nos próximos seis meses.
E a última presidência desta selecção de regresso: Lisboa. Ou será.... Sintra, ou Azambuja, como poderia bem enganar-se Fernando Negrão? Não, não é nem IPPAR, nem EPAL, e é mesmo a Presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Não preciso de registo de interesses, mas fica: apoio rigorosamente António Costa. Estou certa de que será o Presidente da capital a partir de 15 de Julho. Espero que não se pulverizem votos misturados com abstenção dos veraneantes, e que venha a maioria absoluta. Sob pena de o executivo municipal se revelar uma verdadeira Casa dos Comuns – aliás, após o fogo nos Paços do Concelho, a sala de sessões públicas da Câmara foi reconstruída à semelhança da sala onde reúnem os Comuns britânicos – num dia tétrico de discussão infinda e resolução nula. Espero que Lisboa não ande assim nos próximos dois anos.
24.5.07
17.5.07
16.5.07
As boas notícias que correm depressa
E chegam ao 31 da Armada. Pena é que, não sei se satisfeito com Sarko, ou infeliz por Ségolène, um dos doutos bloggers da Companhia não saiba jogar às diferenças.
15.5.07
Call me Tony
Quando um político marca décadas da cena internacional, e marcado por esses mesmos anos abandona o palco, logo começam os comentadores a adiantar trabalho aos historiadores, quais profetas da adivinhação histórica. Como será lembrado Tony Blair?
A prognose raramente substitui a realidade e o porvir. Não será o Iraque a grande marca ou sequer a grande mancha. Anthony Blair, ou Tony, como sempre preferiu, levou o Old Labor por caminhos inesperados, mesmo depois do desgaste da governação dos Tories, intimamente marcada por Tatcher.
E se os Tories foram de ferro, ele foi das pessoas. Se os conservadores privatizaram, Blair manteve-se discursivamente fiel à ideia de serviço público. Se a Dama de Ferro e o seu partido eram cépticos ante a verdade da Europa, o New Labor de Tony foi tão europeísta quanto um partido político britâncio saberá ser.
Houve tréguas irlandesas, os Parlamentos e Autonomias Escócia fora. Houve um Chancellor escocês que fez da economia britânica um sucesso e soube jogar com os seus orçamentos.
Houve aliança atlântica, mesmo quando deveria ter inexistido. Mas também houve quando devia estar presente. Se Tony não ficou bem na fotografia das Lajes, foi ficando bem na fotografia destes longos anos em que soube sempre ir a jogo. Soube, até perder.
Quando um político marca a sua história na de um país e até do mundo, a despedida é sempre cruel, tempo de ajuste de contas, questionada a sua terceira via que dizem não ser nada disso - via ou terceira?
As imagens que a História guardará, em registo para gerações futuras, serão de Anthony Blair, grande político e estadista. Por agora, a fita de cinema relembra o recém-chegado a Downing Stree que insiste, e será que insistia já para os anais da História, call me Tony?
A prognose raramente substitui a realidade e o porvir. Não será o Iraque a grande marca ou sequer a grande mancha. Anthony Blair, ou Tony, como sempre preferiu, levou o Old Labor por caminhos inesperados, mesmo depois do desgaste da governação dos Tories, intimamente marcada por Tatcher.
E se os Tories foram de ferro, ele foi das pessoas. Se os conservadores privatizaram, Blair manteve-se discursivamente fiel à ideia de serviço público. Se a Dama de Ferro e o seu partido eram cépticos ante a verdade da Europa, o New Labor de Tony foi tão europeísta quanto um partido político britâncio saberá ser.
Houve tréguas irlandesas, os Parlamentos e Autonomias Escócia fora. Houve um Chancellor escocês que fez da economia britânica um sucesso e soube jogar com os seus orçamentos.
Houve aliança atlântica, mesmo quando deveria ter inexistido. Mas também houve quando devia estar presente. Se Tony não ficou bem na fotografia das Lajes, foi ficando bem na fotografia destes longos anos em que soube sempre ir a jogo. Soube, até perder.
Quando um político marca a sua história na de um país e até do mundo, a despedida é sempre cruel, tempo de ajuste de contas, questionada a sua terceira via que dizem não ser nada disso - via ou terceira?
As imagens que a História guardará, em registo para gerações futuras, serão de Anthony Blair, grande político e estadista. Por agora, a fita de cinema relembra o recém-chegado a Downing Stree que insiste, e será que insistia já para os anais da História, call me Tony?
14.5.07
Lisboa, a bravura e os outros

Há direitos que assistem a qualquer pessoa. Militante de um partido político, independente - estatuto a que se vem conferindo uma natureza para-divina, distante da mesquinhez que ocupa os seres terrenos -, simples e anonimamente cidadão.
Enquanto advogado, Sá Fernandes usou o arsenal jurídico seu conhecido para marcar a sua opinião e, vê-se hoje, o seu espaço. Foi eleito Vereador e o estilo agudizou-se. Mas está no seu direito.
Helena Roseta resolve candidatar-se à Presidência - ou, mais modestamente, à Vereação - da Câmara Municipal de Lisboa, nas intercalares marcadas agora para o dia 1 de Julho. No uso pleno de um seu direito. Antecipou-se, reactivamente a uma aparente não reacção, e assume-se, uma vez mais, como o rosto da cidadania. Dos cidadãos.
Considero que o único direito de que Helena Roseta fez uso foi o de candidatar-se a um cargo público. Sem mais. Acessível a qualquer um de nós - a menos que consideremos uma candidatura presidencial e estejamos abaixo dos 35 anos. Talvez, também, e como dizia o outro, o direito à indignação.
Mas não encontro sombra de estoicismo, bravura ou heroísmo no acto de candidatura. Helena Roseta tem ido a muitas. Em homenagem ao que entendeu, e onde nunca me revi. Mas a menos que a persistência em contrição seja uma virtude ímpar, direi apenas que uma lisboeta quer governar a cidade. E que me cansa o discurso da cidadania, vindo daqueles que acusam os partidos de sufocar o exercício daquela, mas não abdicam da militância sufocadora naqueles. E neste equilíbrio vão habitando o espaço político.
Posso, no entanto, perspectivar as coisas de outro modo: será bravo todo aquele que se predisponha a governar Lisboa por dois anos, com uma assembleia municipal que passa incólume ao terramoto, e com uma estrutura orgânica, pessoal e financeira cuja solidez é próxima à de um areal sob o ataque de marés vivas.
Bravos, vinde!
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