

Ontem comemorou-se o lançamento do livro «As lendas do Quarteto 1111», do jornalista António Pires, com um pequeno concerto dos próprios no
Musicbox. Apercebi-me de que gosto do José Cid. E já há muitos anos, desde a infância. E que, afinal, não é piroso, pimba, cultural e intelectualmente impronunciável, esta afirmação.
«A lenda de El-Rei D. Sebastião» faz parte das minhas memórias infanto-sonoras – não sei bem porquê, afinal a música é de 1967 e recordo-em que a ouvia essencialmente na televisão. Mas sempre achei que o José Cid era a síncrise do bom cantor. E as suas músicas antítese da boa música.
Há uns tempos descobri que vivemos uma época de revisitação musical, de reencontro de fenómenos que dizemos
kitsch, porque de facto a vida é uma permanente reciclagem e já Lavoisier dizia que «nada se cria, tudo se transforma, nada se perde». A matéria conserva-se. E, nestes tempos de recontros, gostar de José Cid não fica mal. Nem cantarolar os acordes medievos d’«A Lenda Del-Rei D. Sebastião».
Acontece que em 1967, Portugal apenas conhecia (um) pouco do que se criava lá fora, e o nacional cançonetismo lustiano, com as Madalenas Iglésias, marcava a pauta. Sucede que em 1971, o Quarteto 1111 foi tocar a «Ode to the Beatles» em Vilar de Moura; em 72 componham música de intervenção; em 2005 a editora World Psychedelia colocava no escaparate uma edição coreana de 15 temas do Quarteto (músicas de 1967 a 1972); e em 2007 eles estão muito bem, obrigado, a «reeditar» a tal música que cantarolo desde muito miúda e de cujos acordes ocasionalmente me recordo, desta feita em versão acústica, com o teclado de Cid mas muita guitarra e baixo à mistura.
Como dizia ontem, no
Musicbox, o vocalista dos auto-intitulados «Beatles da Reboleira», isto que eles faziam na década de sessenta era muito diferente do que acontecia por cá: «sex, drugs and rock’n’roll: a primeira uma vez por semana, a segunda… e a terceira vejo os outros fazerem». A ler, no reencontro.